terça-feira, 28 de agosto de 2018

Venezuelanos no Brasil - Não temos estrutura ou não temos empatia?


Provavelmente você já deve ter visto e ouvido notícias sobre a imigração de Venezuelanos para o Brasil, especialmente para o Norte. Se você é de Roraima deve estar vivendo na pele isso que chamam de crise migratória. Nessa conversa eu gostaria de expor minha humilde opinião sobre o caso, não que alguém tenha perguntado. 

O fato é que milhares de venezuelanos viram suas vidas virarem de cabeça pra baixo progressivamente por conta de uma crise econômica e política muito grave. Esse post não é para debater a política do país, mas não tem como falar da imigração sem explicar um pouco a crise em si. Basicamente o país é economicamente dependente do petróleo. E os últimos governantes, Chavez e Maduro, adotaram uma política socialista onde o governo interfere totalmente em questões como taxa cambial e adoram nacionalizar qualquer empresa que vêem pela frente. Em um mercado onde o governo é responsável por todos os investimentos, imagina o custo para manter um país. O problema é que em dado momento o preço o barril de petróleo simplesmente despencou e a Venezuela se viu sem boa parte da sua fonte de receita. Ainda assim, o governo continuava com as mesmas contas para pagar, porque lembrem, o mercado privado não existe e se o país não está vendendo, não gera dinheiro e não consegue investir. Sem dinheiro no caixa, Maduro simplesmente decide diminuir a importação de produtos básicos, porque o país também é dependente de mercados externos nesses itens já que as empresas privadas não conseguem se manter no país com as políticas socialistas de controle de preços. Aí para de importar e, claro, para de dar condições básicas para sua população. Não vamos aqui entrar no fator político detalhando problemas como corrupção elevada, "democracia" ditatorial, eleições fraudulentas e etc. Vamos focar na crise econômica que já é bastante pros nossos neurônios por hora.

Ufa! Depois do textão, o ponto é: você consegue se colocar no lugar de venezuelanos que não encontram papel-higiênico no supermercado? Você consegue se imaginar sem ovo e leite para alimentar seus filhos? Eu não estou falando de pasta de dente Tandy com cheirinho de tutti-fruit. Estou falando da Sorriso estar em falta. Dá aquela olhada pra direita e pra cima e se imagine nessa situação.

Depois dessa pequena reflexão, vamos falar de como o Brasil recebe os imigrantes. Nosso país é gigante, o quinto maior do mundo em território. Temos muitos problemas estruturais sim e nossas próprias lutas. Mas a xenofobia que se instaurou por aqui não corresponde à realidade de como podemos receber os imigrantes. Nós recebemos 1% de imigrantes no ano. Essa taxa é calculada em cima da nossa população total. 1% não é nada. Sério, garanto que não faz cosquinha nas escolas e nos hospitais. A quantidade estimada de venezuelanos que estão vindo pro Brasil é de aproximadamente 40 a 60mil contra 550 mil na Colômbia. E vocês dizendo que é muita gente! Claro que se todos permanecerem em Roraima, um estado pouco desenvolvido, teremos sim algum impacto. Mas temos condições de receber essas pessoas nas outras 26 federações. Outro ponto importante é que não é porque eles estão chegando que vão sobrecarregar nossos serviços básicos. Dados mostram que mais de 48% dessa população não utilizou nossos serviços. Nós temos problemas em serviços básicos de qualquer maneira, não porque eles chegaram! Outro ponto é que eles não são zés ninguéns sem estudo que vão acabar com nosso país maravilhoso e desenvolvido nossa meu Deus que país incrível! Não! A maioria possui nível médio completo, mais instruídos do que os próprios brasileiros daquela região. Venezuelanos imigrantes são pessoas como nós, que se viram sem condições básicas para viver. São Cyntias, Danielas, Fernandas, Henriques, Gustavos, Paulos...


A minha pergunta volta a ser: você consegue se colocar no lugar deles? Consegue imaginar o Brasil em colapso total? Vocês não acham tão legal ir pros Estados Unidos, Portugal, Irlanda e tantos outros? Esses brasileiros são considerados o que? Imigrantes fofinhos diferentes dos venezuelanos que chegam pelo desespero?

Nosso país é um país de imigrantes. Ou você que está lendo é índio?

Eu sou de direita, abomino o socialismo, ainda não conheci um país socialista que fosse um arrazo, me agonia um mesmo governante tanto tempo deteriorando um país... Mas não é por isso que não vou enxergar a dor daqueles que fogem disso tudo.


Dale textão. Se você chegou até aqui merece um OBRIGADA!!


Fonte dos dados %

terça-feira, 24 de julho de 2018

Vamos falar sobre o KKK!




Esse post é apenas um desabafo sobre o KKK injustiçado. Eu ainda me pegunto o porquê desse preconceito não só com essa risada, mas também com quem a escolhe. Vamos convir que é muito mais simples pressionar o K loucamente no seu teclado do que ficar caçando o H e o A alternadamente. Isso quando a pessoa não quer ser engraçadona e incluir o U no meio. Ou seja, 3 teclas quando eu posso apenas escolher uma e imprimir a mesma emoção. É tanta emoção quando a gente está rindo que quando a risada é HAHAHA é óbvio que sai um G aleatório, um S nada a ver... Pra que complicar?

Quando a gente ri ou gargalha existe esse som na vida real? Não! Mas e daí? Nunca existiu POW ou PUFF, mas quando o Maurício colocava na Turma da Mônica eu entendia claramente o que estava acontecendo.

Então fica aqui meu protesto importantíssimo que com certeza permeia corações aflitos por aí como o meu. Eu vou usar o K sim e me aceitem do jeito que sou.

Me siga no Instagram pra gente pensar por lá: @CyntiaBravo

Bookmark and Share

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A melhor parte de crescer é ser você



Eu andei refletindo sobre como é bom crescer. Não vou negar que a infância continua sendo minha queridinha, afinal rasgar uma caixa de papelão e achar aquilo o evento mais divertido de todos é muito encantador. Mas, não dá pra ficar lá pra sempre. Então, se vamos crescer, que bom que chegamos à maturidade. Não que eu esteja um poço de sabedoria, longe disso. A diferença é que eu já entendi que não preciso ser igual a ninguém pra ser feliz. Quando era mais nova, entre a adolescência e a o início da fase de jovem adulta, eu insistia em ser parecida com quem eu admirava. E não, isso não incluía meus pais, porque né, que adolescente quer ser igual aos pais? (desculpa mom e papi, lidem com isso, amo vocês). Aos meus 20 anos eu gritava aos quatro ventos sobre meu ódio de praia. Não sei quando exatamente esse asco começou, só sei que me privei do mar por alguns anos porque detestava a areia, detestava o sal da água, detestava o sol queimando, detestava crianças correndo. Mentira, eu amo a praia! Eu amo o barulho das ondas e a paz que ele me traz. Amo ver os pássaros voando no céu azul, o aviãozinho com a propaganda que não consigo ler passando longe, observar se a criança se perdeu dos pais desnaturados, comprar um picolé que vai me dar dor de barriga depois. Eu amo a praia! Eu também tinha mania de julgar homens de regata. Dizia que era horroroso. Que maldade a nossa, mulheres que saem por aí fresquinhas com seus shortinhos e ribaninhas, não deixarem seus companheiros usarem uma camiseta. Pra um morador do Rio uma regata é um refrigério na alma. Homens, quanto a mim, a regata está liberada. Eu dizia que era fã de Star Wars. Na profissão que escolhi, 11 entre 10 pessoas dizem que gostam dessa série de filmes. A verdade é que eu NUNCA assisti a um filme sequer da trilogia, quadrilogia, seja lá o que seja. Pra você ver, não sei nem quantos filmes tem a essa altura. Primeiro que não consigo entender como uma história começa pelo fim que isso não é mangá nem nada pra estar de trás pra frente. Segundo que é nerdice pura e apesar de eu amar tecnologia eu não sou lá o melhor exemplar de nerd que existe por aí. Woddy Allen? Coloca aí nessa lista do “gosto, mas não vi” (ok, vi alguns, mas não suficiente pra me dizer fã de carteirinha). Sobre pagode em 2007: síncope toda vez que ouvia. Que música brega. Pagode em 2017: cadê o novo CD Tardezinha do Thiaguinho que preciso ouvir agora? Outra coisa muito boa que aprendi ao longo desses anos é dizer não. Já tentou? Você não precisa ser a pessoa mais fofa do mundo que aceita tudo para não ver os outros magoados enquanto por dentro se pergunta por que está naquela situação. Tente um “não” quando achar que é não. É divino. Mas de todos os aprendizados, acho que o melhor é descobrir que você não precisa ser quem os outros querem que você seja. Hoje, a opinião dos outros importa menos (importa, mas BEM menos). A verdade é que eu já sei quais “outros” trazem opiniões relevantes para o meu crescimento.

O fato é que eu nunca parei realmente para pensar se gostava mesmo ou não de tudo isso. Eu simplesmente ouvia alguém dizendo que sim ou não e pegava carona. Não era preguiça de pensar, eu só queria ser cool.

Manu Magalhães disse “Pode falar que eu não ligo, agora amigo, eu estou em outra. Eu estou ficando velha, eu estou ficando louca.” E Clarisse Falcão também disse “Eu sou problema meu”. E é isso. Minha verdade hoje é que eu sou quem eu quero ser. Que bom que cresci para isso e que bom que vou crescer mais para descobrir novos gostos e desenterrar desgostos.

Bookmark and Share

terça-feira, 30 de junho de 2015

Uma curva no tempo (Dani Atkins) - leitura de junho



A corrida continua e ainda em junho devorei outro livro. Dessa vez, fui muito clichê e julguei o livro pela capa. Sim, me apaixonei perdidamente pela capa. Além de linda e singela, ela tem um toque perfeito e a cada dia de leitura eu passava uns 2 minutos passando a mão por ela, bem desocupada mesmo.

Enfim, sobre o conteúdo. O livro conta a história de uma menina no auge da sua juventude vivendo em uma pequena cidade e passando pela transição adolescência-vida adulta. Ela tem um namorado perfeito, amigos adoráveis e um futuro promissor pela frente. Até que um acidente leva a vida de todos desse grupo de amizade a novos destinos. Após o acidente e com passar do tempo, 5 anos depois, ela se vê em uma vida mesquinha totalmente diferente do planejado. Mas imagina acordar um dia, e por um milagre, toda a realidade que você conhece se transformar? É isso que acontece quando Rachel abre os olhos em um hospital, após um assalto e vê que tudo o que havia vivido naqueles últimos 5 anos na verdade era uma ilusão e que na verdade ela tem uma vida perfeita. Ou não?

Como o livro possui um certo mistério, não posso me aprofundar e contar mais detalhes. Vale a leitura. Eu, como sou muito ansiosa e adoro um spoiler, tenho a péssima mania de ler a última página do livro bem no início da jornada. Dessa vez não deu muito certo, porque o fim é muito o fim. Sabe, aquele fim que fecha a história e esclarece todo o livro? Por isso, lá pelo meio da leitura eu já tinha sacado o enredo. Acho que se não tivesse bancado a espertinha só teria matado a charada no final.

A única crítica negativa é que tenho pouca paciência para textos com detalhes irrelevantes, como “o céu azul púrpura que brilhava no anoitecer sob meus olhos atentos de menina”, que no fundo no fundo é mais um céu azul. Sou prática, gosto de pá pum. Então, pulei algumas palavras naquela leitura dinâmica de sempre.
Mas, mesmo assim, quem quiser tentar uma história diferente vale sim a pena (e leia uma página por vez, na ordem, por favor!!!).


Próxima leitura: A Hora da História (Thrity Umrigar)


Bookmark and Share

sábado, 6 de junho de 2015

Depois de Auschwitz (Eva Schloss) - leitura de junho



Continuando minha saga, desta vez tive o privilégio de ler uma história da vida real, do tipo mais bela do que qualquer escritor criativo um dia poderia escrever.

Eu sou muito curiosa quando o assunto é Segunda Guerra Mundial. Leio e releio sobre o pior momento da humanidade, mas ainda não consigo acreditar que passamos por ela. Não consigo acreditar que um homem profundamente afetado por seus ideais retorcidos conseguiu levar o mundo ao caos, conseguiu matar milhares de pessoas inocentes e conseguiu mostrar que o homem pode liberar seu lado mais cruel quando busca por poder. Pois bem, Eva Schloss participou da história e sobreviveu para nos contar um pouquinho através da sua visão. Judia, como você já deve imaginar, ela passou pelo campo de concentração na Polônia e, apesar de todo horror e luta, conseguiu se salvar. Ela e sua mãe foram separadas do seu pai e irmão, que infelizmente, não tiveram a mesma sorte das duas mulheres. No livro, ela conta com detalhes os momentos que passou no campo e suas lembranças. Ao recomeçarem a vida, o destino as levou ao encontro de Otto Frank, pai da famosa Anne Frank. Com o passar dos anos, sua mãe e Otto engatam um romance e terminam suas vidas juntos. Eva se envolve no trabalho de divulgação do diário de Anne e com tantos encontros maravilhosos, acaba se tornando também escritora.

Eva escreve muito bem, talvez por isso acabar com 304 páginas em 1 semana não foi um problema. Além disso, ela conta a história de sua vida em todas as etapas. A gente conhece a Eva antes da guerra, durante a guerra, dentro do campo, após a guerra e hoje. Foi incrível poder conhecer um pouco sobre sua história. Recomendo e estou planejando ler seu primeiro livro - A história de Eva.

Obs: Como estou atrasada com a minha meta, ainda em junho vou ler Uma Curva no Tempo (Dani Atkins).


Bookmark and Share

sábado, 23 de maio de 2015

O Meu pé de Laranja Lima (José Mauro Vasconcelos) - leitura de maio


Estava passando o tempo pela internet, quando me deparei com o blog Depois que Li de uma menina parecida comigo, que gosta de ler. Em umpost sobre seus hábitos de leitura ela comentou que um dos livros que a tinha feito chorar foi O Meu Pé de Laranja Lima. Fiquei super curiosa, porque apesar de burra velha, nunca tinha lido.

Já estava com planos de comprar outros livros no dia seguinte e aproveitei para fazer mais essa aquisição. Bela surpresa! Um dos livros mais lindos e doces que já li na vida. Sim, mesmo burra velha, mesmo sem as ilusões infantis, ainda assim, esse livro mexeu muito comigo e me fez lembrar até mesmo a própria infância.

O livro conta a história do menino Zezé, que vem de família muito pobre, mas que possui uma imaginação aflorada. Arteiro, apronta muito pela vizinhança. Inteligente demais, essa criança possui uma sensibilidade de adulto e é capaz de ver além das brincadeiras. Duas amizades se desenrolam ao longo da leitura, a com o pé de laranja lima do seu quintal e com o Português, um vizinho do bairro. Inclusive, o bairro é Bangu, aqui do meu ladinho. Me senti em casa reconhecendo o nome das ruas.
E por que eu chorei? Porque a história dessa criança é tão linda, cheia de sonhos, mas também cheia de dor. E porque é possível se jogar nessas amizades como se fosse você na história. E porque no final tem um plus inacreditável, daqueles melodramáticos. Depois que acabei de ler, ainda fiquei 1 hora soltando algumas lágrimas tímidas enquanto meu marido me julgava. E sobre ter lido quando adulta, não poderia ter sido melhor. Se você já leu mais novo, leia de novo. Sua imaturidade provavelmente não deixou entender toda a beleza dessa história.

Sabe O Pequeno Príncipe? Então, não deixe de ler a nossa versão tupiniquim. Ah! O livro é tão bom, que li em uma tarde e uma noite do mesmo dia que comprei.


OBS: Eu sei que pulei março e abril no ciclo da leitura, mas vou recuperar esse resultado. Próxima parada: “Depois de Auschwitz”.

Bookmark and Share

Primavera Eterna (Paula Abreu) – livro de fevereiro



Enquanto eu procurava o livro FIM pela livraria, encontrei esse outro na mesa e me pareceu uma leitura tão leve que não pude deixar de comprar.

Primavera Eterna é da autora Paula Abreu, uma pessoa como eu e você, que decidiu um dia que deveria começar a escrever, bem como sonhou desde criança. Na verdade, me apaixonei pela capa do livro e pela história envolver uma publicitária (no caso, minha querida profissão).

O livro conta a história de uma mulher jovem, a Maia, que tem uma carreia promissora no Brasil e um namoro que parece perfeito. Mas, na verdade, está presa num passado infantil, onde encontrou seu primeiro amor. Em uma viagem de família, conhece Diogo, um menino que parecia um sonho. Já de volta para a cidade, Maia descobre um dia que Diogo se mudou para os Estados Unidos com a família e seu mundo se transforma em dor e saudade. Ao longo do tempo, eles trocam algumas correspondências, mas nada com muito sucesso. Enquanto Maia alimenta esse amor de infância, Diogo parece apenas crescer em Nova York. É por isso que a personagem decide, em um dia qualquer, viajar para NY e encontrar esse passado. Daí desenrola a história do reencontro e como as coisas podem ser diferentes quando são vividas e não mais sonhadas.


Li em 2 dias se não me engano. O livro é muito leve, a narrativa simples, e a história mamão com açúcar que de vez em quando faz muito bem para a alma sair do peso do dia a dia tão maduro. Lei quando estiver afim de esvaziar a mente.

Bookmark and Share